Como ficam os refugiados do clima?

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ONU alerta para migrações pelo clima

Supera conflitos como fator de migração 

Países em desenvolvimento: mais risco 


Nas primeiras duas semanas de dezembro, mais de 150 países se reuniram em Katowice, na Polônia, para participar da 24Conferência do Clima da ONU. Entre os tópicos abordados, chama a atenção, particularmente, o aumento no número de migrantes devido a desastres naturais. Esse é o resultado de duas crises mundiais –refugiados e climática– em uma só catástrofe.

O deslocamento de comunidades que moram na costa ou cidades afetadas por furacões, como Porto Rico e Haiti, são alarmantes para países em desenvolvimento que já têm dificuldades em suprir as necessidades de suas populações. O agravamento dessa crise traz sérias consequências para países com infraestrutura deficientes, especialmente para pequenos territórios banhados pelo mar.

Migrações causadas por desastres naturaisThe Nansen Initiative: Internal Displacement Monitoring Center

Para alertar países sobre os perigos e as precauções a serem tomadas, o relatório Groundswell, do Banco Mundial, alerta que se nenhuma medida for adotada até 2050, haverá mais de 143 milhões de migrantes somente nas 3 regiões mais afetadas pelo efeito da mudança climática: África, o sul asiático e América Latina. O Banco avalia o número de migrantes utilizando 3 cenários diferentes, conforme mostra o gráfico abaixo, em inglês.

No mais pessimista, não inclui iniciativas para enfrentar o problema. Num cenário intermediário, o relatório considera apenas reformas na infraestrutura (verde escuro). Por fim, na visão mais otimista, são consideradas reformas sustentáveis na diminuição da emissão de gás carbono (verde claro). Em todos os casos, o melhor cenário surge quando as regiões afetadas adotam políticas austeras para redução da emissão dos gases de efeito estufa, mesmo sem focar em melhoraria da infraestrutura.

Número estimado de migrantes da África, do sul asiático e da América Latina em 2050Banco Mundial

A situação climática é tão delicada que a migração de grandes populações irá continuar mesmo com a adoção imediata de medidas para redução da emissão de GEE (gases do efeito estufa). Para países em desenvolvimento, o desafio é ainda maior, dada a carência de itens básicos, como alimentação, energia e saneamento.

Nesse caso, a solução passa pela adoção de medidas sustentáveis em todas as etapas da economia, incluindo a infraestrura e a matriz energética. Para países mais desenvolvidos, o foco deve ser o desenvolvimento de tecnologias acessíveis que ajudem a diminuir a emissão de GEE.

Ignorar os efeitos das mudanças climáticas implicará em provocar uma crise migratória mundial. Ainda há tempo para reverter esse quadro. O fortalecimento da infraestrutura e da economia só produzirá resultados positivos se estiver associado a medidas para diminuir a emissão do gás carbono. E, em qualquer cenário, será preciso preparar países e regiões para receber o maior número possível de migrantes. A abordagem multilateral nunca foi tão relevante.

Fonte: Poder 360

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